27 de maio de 2010

da fuga...


Perdi-me muitas vezes pelo mar,
o ouvido cheio de flores recém cortadas,
a língua cheia de amor e de agonia.
Muitas vezes perdi-me pelo mar,
como me perco no coração de alguns meninos.
Não há noite em que, ao dar um beijo,
não sinta o sorriso das pessoas sem rosto,
nem há ninguém que, ao tocar um recém-nascido,
se esqueça das imóveis caveiras de cavalo.
Porque as rosas buscam na frente
uma dura paisagem de osso
e as mãos do homem não têm mais sentido
senão imitar as raízes sob a terra.
Como me perco no coração de alguns meninos,
perdi-me muitas vezes pelo mar.
Ignorante da água vou buscando uma morte de luz que me consuma.

Federico García Lorca

o retrato de um homem triste é o nome da tela que ilustra essa postagem, foi pintado por mim, aquarela em papel vagabundo. saudades do blog, do lorca, de mim mesmo.

10 de maio de 2010

Mais fácil do que chorar...


Um dia nublado, solidão
Alguns livros abertos
Uma mente brilhante
Um sonhador, uma alma poeta
Que guarda tristeza
Dentro do seu coração emocionado
Ele está escrevendo uma carta, e ela é para mim
Ele diz muitas palavras simples e sábias
Quando vc se sentir pra baixo
Lembre-se daquelas palavras de sabedoria
Que vc me escreveu
Elas são tão verdadeiras
Ser feliz é fácil
É mais fácil do que chorar
Felicidade depende de coisas simples
Talvez até mesmo de uma música


gente, vcs nao vao acreditar, mas essa bela poesia ai em cima eh uma canção. mas o melhor de tudo, ela foi escrita p mim! sim, essa eh a tradução de uma canção que o meu querido amigo-irmao fernando fez/compos. mas o pior, eu soh vou ver e escutar ela sendo lindamente tocada no piano no final de semana, vou morrer de ansiedade ate la. euheuhe. Fe, obrigado, vc eh um lindo mesmo. ah! vcs vao ficar soh na esperança de ver e escutar ele tocando e cantando, pq eu nao nao postar o video. a musica eh soh minha! han. hehehe

9 de maio de 2010

brifing da próxima coleção!


gentchy. estou postando o painel imagético/briefing da próxima mini coleção dos designer de moda Nattan Perius (eu), Bianca Monte e Giseli Souto. a coleção tem como proposta trabalhar com retalhos de sobra de malha (reciclagem), e como tema de inspiração a musica ma mémoire sale, do musical frances les chanson d'amour. claaro que que os looks vao ser bem sujos, como nós, como o blog. O painel é um release visual da coleção, onde traz a cartela de cores, basicamente branca e marrom, o tema de inspiração, forte e belo como um café, o público alvo, frágil e elegante como uma folha de outono, (bem poético neh?). vem sujar sua memoria com a gente! quando as roupichas ficarem prontas eu posto a produção fotografica aqui no blog. beijos, uma otima semana.

8 de maio de 2010

feliz dia das mães.


será que é muito clichê eu dizer que você é a melhor mãe do mundo?
claro que não, porque você MÃE, realemente é a melhor mãe do mundo, com todos os teus defeitos, e teus muitos acertos, obrigado por me dar a a luz, obrigado por ser meu alicerce, obrigado por ser meu ombro, minha muralha, que me proteje de tudo, obrigado por abdicar dos teus sonhos pelos meus, obrigado por viver para me ver bem e feliz. obrigado por sem minha, minha mãe, meu tudo, minha vida. eu te amo mais que qualquer coisa, espero q vc fique bem rapidinho, Deus esta olhando pra você, e tomando suas providencias...

minha homenagem,
meu carinho, e todo o meu amor.

parabens p todas as maes. nessa data que eh tao especial.

5 de maio de 2010

para alguem de aniversário hoje...

Indaial, santa Catarina, 5 de maio de 2010.

ps: Para ler ao som de barulhos pequenos.

Fernando,

Tem certos dias em nossas vidas, que acontecem certas coisas estranhas q não podemos explicar, conhecerem alguém pode não ser estranho, conhecer alguém como que te conheci é “diferente” (vamos usar assim com aspas p dar um ar exótico ao acontecimento). Eu sei que essa carta é só nossa, mas sabe, a gente esquece ela numa gaveta, no meio de um livro, numa caixinha de recordações, e às vezes alguém pode chegar do nada, vasculhar sem interesse e displicentemente ler o que estou te escrevendo hoje, por isso acho q vou deixar assim, como nos conhecemos é assunto nosso, fica na memória, não preciso dizer, porque como eu sempre falo, dizer é irremediável, fica sempre um farelo no prato, no chão, pra lembrar que acabamos de fazer bagunça.

Não é que eu saiba me expressar melhor por cartas, e que não possa fazer isso pessoalmente, não não... Bem que queria estar por perto. Só que meu abraço vai ficar p um dia distante, que não hoje, meu carinho (aquela coisa boba de passar a mão no cabelo, olhar nos olhos e perguntar se ta-tu-do bem) vai ficar quem sabe pra uma próxima estação, quem sabe o inverno? Eu queria poder te dizer tantas coisas, não porque hoje é teu aniversario, mas dizer porque dizer é edificante, te dizer é simples, mas é importante pra mim, não sou aquela pessoa que tem muitos amigos, e os poucos não são nada perfeitos, mas sou alguém q sente falta, que queria poder estar ai perto de você pra te dar um colo, te por pra dormir, e dizer que vai dar tudo certo. Não porque é seu aniversario, mas porque é você, todo dia, sempre, porque ter sua amizade, mesmo que desse jeito distante, mesmo q eletronicamente, mesmo tudo isso infernal e digitalmente necessário, mesmo assim, ter sua amizade é como ter um jardim de tulipas plantado em frente a porta na primavera.

Bom é saber q você existe, mesmo eu não estando inspirado hoje p escrever, mas não restam muitas alternativas. Ligar quem sabe... não... ligar é voz de mais, nervosismo de mais, palavras certas de menos, eu sempre acabo falando de mais no telefone, mas nunca é exatamente o que quero dizer.

Então escrever essa carta foi a única coisa que sobrou para te dar de presente, espero que ela chegue ate o dia do teu aniversario, espero que fique surpreso quando o carteiro bater a sua porta. Escrever cartas é sempre bom, (“tenho pena das pessoas que não escrevem cartas” – Elizabeth Bishop) escrever-te então, é quase um momento de pura paz.

O senhor, mesmo não sabendo ou acreditando, faz parte da minha vida, é importante p mim, é um amigo de verdade, mesmo longe, mesmo não podendo tocar-te e dizer, com palavras tortas, que hoje eu te desejo uma fé enorme, te desejo sonhos bons, tranqüilos, te desejo esperança, te desejo um brinquedo novo e um bolo cheio de chantilly. Falar-te que é fácil ser feliz, mais fácil que chorar, ser feliz depende de coisas bem pequenas, quem sabe ate uma carta...

“a gente não deve permitir que as cartas se tornem obsoletas, mesmo que, talvez, já tenham se tornado” (caioF)

Só queria dizer que te amo como amigo, como irmão, que te quero bem, e me sinto feliz por saber que posso te contar segredos, e que você também pode me contar coisinhas, mas isso fica pra uma próxima carta, me escreva também, “tem sempre espaço na casa e no coração”.

PARABÉNS!

De quem te adora, Nattan Perius.

30 de abril de 2010

de um menino bobo e frágil...


"Eu vejo meu futuro, em bola grande, de cristal: cerzindo roupas velhas-mortas, embaixo de uma goiabeira no quintal. Eu vejo meu futuro, em runas, conchas, tarô: baloiçando-me em cadeira de vime, mãos com cheiro de cebola, óculos redondos como do meu avô. Eu vejo meu futuro porque sou do além-mar, eu vejo meu futuro porque cansei tanto de remar. Quero ser o mesmo pássaro de asa quebrada, a piar."

Felipe Freitag (poeta, pequeno, bobo e frágil)

24 de abril de 2010

Daria uma canção, não?


Um beijo lento
Leito de mordaça fria,
Coluna de baratas tontas,
Versos de poetas loucos.
Um beijo e um tanto.
Pernas vadias pelo ar-soltas.
Calças perdidas pela madrugada.
Corpos em pele, cantados nos raios.
Ah, como eu queria mais uma vez as margaridas.
Aquelas dentro dos teus olhos santos.
Ah, como eu queria tua voz partida.
Aquela mal dosada, em solavancos-muitos.
E os dedos longos sobre o meu pescoço.
A nuca arrepiada, o peito ofegante-delirante.
Teu suspiro ALTO.
Sobrou tanto-muito-algo
Lago de lembranças-valsas.
Olho meu rosto-face ladrilho de lágrimas baças.
Balancei aflito e a-go-ra (hora) morto.
Um beijo lento
Lenço de adeus num porto bem repleto-nem um teto.
BALSA-LAÇA-LAÇO-TEIA-CAÇA(animal ferido)

Felipe Freitag (poeta gaúcho e meu amigo querido)

21 de abril de 2010

Desabafo...


Não, não, hoje eu não vim ate aqui escrever porque deu tempo ou coisa assim, eu vim escrever porque simplesmente deu necessidade... Vim em passos miúdos, vim com um pouco de medo de não saber o que dizer, ou acabar dizendo tudo e que esse tudo não seja realmente o que vocês esperam (pior ainda, que esse tudo não seja tudo pra mim).

Vim como quem não quer dizer certas coisas, porque dizer é irremediável, sempre se tem ouvidos de mais pra escutar coisas que poucas bocas deveriam falar. Hoje eu fiz tudo que não planejei, não limpei mais, não lavei mais, não tomei aquele banho demorado, pelo contrario, comprei um livro novo, comi aquelas porcarias de mercado, bebi cerveja barata e coca cola gelada e escutei todas aquelas musicas da Bethânia que torturam meus pensamentos, que prometi que ia deixar de escutar por um tempo, hoje que estou vivo, fiz bobagem como quem faz brigadeiro e se lambuza.

Não é que hoje eu queira ser só meu, ser dos outros esta tão difícil... esta um quase pouco impossível, “estou achando que não sei nada de mim” (tocando aqui)... esse blog virou diário, não sei mais falar de coisas que não seja eu, as pequenas dores, os nunca amores, a completa ausência tua. Mas estou bem, com aquela velha inquietação no coração e nos dedos, coisas impossíveis de proibir em dias de chuva fraca como hoje.

Que a vida seja leve comigo, e me traga amor e todos os problemas que vem junto com ele.

"Um dia sobre nós também cairá o esquecimento, como a chuva no telhado, e sermos esquecidos será quase a felicidade"

(Leminski)

11 de abril de 2010

tempo tempo tempo...


Tempo, desapareça daqui! Eu não tenho tempo... Tenho sim, tempo tem, não tem tempo sobrando, só isso. Mas não ha do que reclamar, ando ocupando minha cabeça, tomando cafés com pessoas agradáveis, lendo pouco (Baudelaire), mas na hora do almoço da pra pensar alguns versos, pensar em alguns planos, mudanças, com pouco tempo, oh tempo, senhor da minha inquietação...

Comecei a trabalhar e agora não sei mais o que é vida social ou afim, mas as minhas noites bem dormidas (por causa do cansaço) tem sido uma graça divina. Estou postando pouco, pouquíssimo, mas não esqueço do blog, que leva meu carinho, minhas palavras, e um tanto dos meus sujos sentimentos... Hoje à tarde, nessa tarde de domingo de outono (nunca pensei gostar tanto de uma tarde de domingo) ganhei uma folga, estou me dando uma tarde, com direito a almoço feito por yo, vinho tinto e alguns toques no apê, uma varridinha aqui, uma limpadinha ali... Ainda quero fazer a barba e ver um filminho (a cor púrpura, fica a dica).

Não estou pensando em nada, não paro de pensar, e quero deixá-los com um fragmento qualquer, que me lava a alma, essa alma que também é suja...

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

(c. Lispector)

Esse fragmento vai para uma Lispector que entende bem o que não se pode entender, q é linda, q é vida, q é pequena, mas grande de sonhos e de vontade de ser, apenas ser. Esse fragmento é pra você, pequena lis, querida Ciça. Que me chama de Caio Nattan Fernando Pessoa Wilde de Moraes, e eu adoro.

Beijos e boa semana. Voltarei quando tiver TEMPO.

4 de abril de 2010

um café, uma sacada, tua companhia...


Como um brotinho de feijão foi que um dia eu nasci,
Despertei cai no chão e com as flores cresci.
E decidi que a vida logo me daria tudo
Se eu não deixasse que o medo me apagasse no escuro.

Quando mamãe olhou pra mim, ela foi e pensou
Que um nome de passarinho me encheria de amor
Mas passarinho se não bate a asa logo pia
Eu que tinha um nome diferente já quis ser Maria
Ah, e como é bom voar...


(passarinho, Tiê)

ps: essa postagem eh especial p uma pessoa que estou com muita saudade, que espero sempre encontrar numa praça, numa esquina, em paris, em buenos aires... desde que possa encontrar, tomar um café, fumar um cigarro sujo, olhar para um lugar qualquer, pq o lugar nao importa quando estou perto de vc. ter sua companhia eh sempre um presente, aconchegante, e sem preço. pra vc mari. bjs